segunda-feira, 10 de novembro de 2008

E vence o lado negro da força


Com uma vitória recorde que não se via desde 1960, quando Kennedy e Nixon disputavam o cargo de presidente, Barack Obama venceu o candidato John McCain com 342 votos contra 159 do seu rival. Essa foi considerada a eleição com maior número de participação dos americanos. Cerca de 66% dos mais de 153 milhões de eleitores foram às urnas. A vitória de Obama marca uma nova fase na história mundial.

Analisando toda a campanha presidencial americana, fica a dúvida se foi uma disputa entre liberais e conservadores, democratas ou republicanos, ou até mesmo uma guerra racial e cultural. De um lado um candidato negro. Do outro, um candidato branco e com uma vice-presidente mulher. Tendo uma visão mais superficial do perfil dos candidatos, quem ganhasse estaria sendo o primeiro em algo.

Com seu discurso Change, ou seja, mudança, Barack Obama se tornou a última esperança do mundo. Após o trauma do Governo Bush, as pessoas criaram em Obama a imagem de um herói, que pode fazer tudo, acabar com a crise financeira, dar mais empregos e fazer renascer o sonho americano. Ele é a nova versão do Superman. Mas será que Obama está realmente preparado para carregar esse título?

Segundo a rede de tv americana NBC, assim que soube do resultado das eleições, Obama teria pedido uma recontagem dos votos. Nem ele mesmo tinha acreditado em sua vitória. No começo das eleições, Obama declarou que a possibilidade de perder não tirava o seu sono a noite, e sim, a de vitória.

Milhões de pessoas contribuíram para a campanha de Obama, doando uma média de 100 dólares cada. O desafio imediato do novo presidente será como manter o otimismo dessas pessoas que acreditaram nele e depositaram todos os seus desejos de melhora no novo presidente. Pode-se dizer que existe hoje nos Estados Unidos, um “exército pró-Obama”. Vai ser preciso muito mais que sua habilidade oral para manter o entusiasmo dessas pessoas. No seu discurso de vitória, diferente do esperado, Obama não citou Martin Luther King, mas pegou emprestado muito do que o aclamado líder negro falava. “A estrada à frente vai ser longa. Nossos passos serão cuidadosos. Podemos não chegar lá em um ano. Mas, América, eu nunca estive tão confiante como estou hoje. Nós vamos chegar lá. Eu prometo a vocês, nós como pessoas, chegaremos lá.” Esse foi um dos trechos ditos por Barack Obama durante a comemoração. Coincidência ou não, em seu último discurso antes de ser assassinado, Luther King falou: “Pode ser que eu não chegue lá com vocês. Mas quero que saibam que hoje, nós como povo, vamos conseguir a terra prometida.”

Por mais que Obama queira virar a página e começar um novo governo, as coisas não serão tão fáceis assim. Os primeiros meses são os mais importantes porque é quando o presidente eleito tem muita autoridade, mas também não tem muita capacidade de tomar as decisões certas.

De acordo com um artigo publicado na revista americana Newsweek, os primeiros 100 dias de governo serão os mais críticos para Obama. A fase de transição é uma das maiores preocupações. O texto lembra alguns dos principais momentos da política norte-americana, onde aconteceram as mais difíceis mudanças de governo. Desde a transição após a morte de George Washington, em 1800, passando por Roosevelt em 1933, até a era de Clinton, em 1993. Uma das que mais chamam atenção é a do período de Hoover-Roosevelt, durante 1932-33. Pela primeira vez, em mais de 150 anos da era presidencial, a transição aconteceu em novembro e a posse foi feita em março. Em 1932, nos últimos meses de governo, Herbert Hoover tomou uma decisão que poderia ter mudado toda a história econômica dos Estados Unidos. Hoover mudou os planos do governo para tentar reverter a crise econômica, que já atingia o país desde 1929, e não fez absolutamente nada. Ficou esperando um milagre que poderia acontecer entre as transições de governo, depositando em Franklin Roosevelt, a esperança de melhora da economia. Em janeiro e fevereiro de 1933, os bancos americanos começaram a falir em massa e os encontros entre os presidentes Roosevelt e Hoover não rendiam absolutamente nada. O democrata culpava os republicanos pela crise e nenhum dos dois conseguia encontrar uma solução para o problema. Não se sabe ao certo quem deveria levar a culpa pela grave depressão. Segundo historiadores, Hoover recebeu a maior parte dela.

É a velha história, quer entender o futuro? Tente analisar dados do passado. Baseado nos exemplos de transições anteriores entre presidente americanos, Barack Obama sabe que o caminho para a mudança não será tão fácil. Mas pelo menos uma coisa ele tem de sobra: otimismo. Lembrando que não é só os Estados Unidos que estão de olho no novo presidente, e sim, o mundo inteiro.

Boa sorte, Obama. Que a força esteja com você.




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