quarta-feira, 26 de novembro de 2008

"Amor vem de amor..." - Guimarães Rosa

Vem de longe, vem no escuro, brota que nem mato que dispensa cuidado e cresce com a mais remota chuva. Vem de dentro e fundo e com urgência. Amor vem de amor. Que não cabe, mas assim mesmo a gente guarda. A gente empurra, dobra, faz força, deixa amassado num canto, no peito, no escuro, dentro, ou larga pegando sereno. Amor vem de amor. Vem do pedaço mais feio, do mais sem palavra, do triste, vem de mãos estendidas. É tecido desfeito pelo tempo, amarelecido pelo tempo, pelo cheiro da gaveta fechada, pelo riscado do sol na madeira. Amor vem de amor. Vem de coisa que arrebata, vira chão, terra, cisco, resto, rastro, coisa para sempre varrida. É delicadeza viva forte violenta. Que faz doer, partir, deixar caído. Amor vem de amor. E dói bonito.


*Achei esse texto passeando por páginas da Internet. A autora - Juliana Brina - usou uma frase da obra Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa. Achei que encaixou legal e ficou muito fofinho. Tenho que admitir que quando li, senti butterflies inside.





terça-feira, 25 de novembro de 2008

Little Joy

Se você gosta de Los Hermanos ou The Strokes, vai ser fácil gostar dessa nova banda. Little Joy consegue unir o melhor dos dois grupos fazendo um som quase inédito. De onde vem a semelhança? O trio é formado pelo baterista do Strokes, Fabrizio Moretti e por Rodrigo amarante, vocalista e guitarrista do Los Hermanos, além de Binki Shapiro, que nunca tocou em nenhuma banda brasileira.

Tudo começou durante um encontro entre Amarante e Moretti, quando suas respectivas bandas tocavam em um festival de música em Lisboa, Portugal. A conversa entre os dois rendeu a noite toda e pela manhã já tinham a idéia de fazer um som novo sem ligação nenhuma com suas bandas da época. Isso é o que eles falam. Ouvindo bem o som dos caras, dá pra perceber as batidas à la Strokes de Fabrizio e os acordes melódicos bem à Los Hermanos do violão de Amarante.

O cd do Little Joy foi lançado esse mês pelo selo Rough Trade e ainda não tem previsão de chegar no Brasil. A banda já recebeu as boas vindas dos americanos e estão em turnê por várias cidades dos Estados Unidos, esgotando ingressos e conquistando novas audiências.

Agora é torcer e esperar o debut do Little Joy por aqui. Para conferir o som do trio, vale a pena visitar o site da banda no myspace. A faixa Keep me in Mind é fofa, mas eu só consegui pensar em Los Hermanos quando ouvi. Aí embaixo tem um vídeo de uma das músicas que mais gostei - Next Time Around - e que nem lembra tanto assim a banda carioca e ainda tem o baterista Moretti tocando violão e cantando, fato desconhecido por mim.




Little Joy: www.myspace.com/littlejoymusic




segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Who is Susie?

"Susie is earnest, serious, smart and most of all kind. Susie's one major flaw is that she hates to let anyone have the last say.
Susie has a love-hate conflict with Calvin, and it's taken all of us a while to get to understand Susie's relationship with Calvin; especially Susie. I suspect Calvin has a mild crush on her that he expresses by trying to annoy her, but Susie is a bit unnerved and put off by Calvin's weirdness. This encourages Calvin to be even weirder.
She typically thinks she knows better than the rest and hates sharing her knowledge. She is poorly suited for this new teaching medium, although she would insist otherwise."


*Para saber mais: www.gocomics.com/calvinandhobbes



segunda-feira, 10 de novembro de 2008

E vence o lado negro da força


Com uma vitória recorde que não se via desde 1960, quando Kennedy e Nixon disputavam o cargo de presidente, Barack Obama venceu o candidato John McCain com 342 votos contra 159 do seu rival. Essa foi considerada a eleição com maior número de participação dos americanos. Cerca de 66% dos mais de 153 milhões de eleitores foram às urnas. A vitória de Obama marca uma nova fase na história mundial.

Analisando toda a campanha presidencial americana, fica a dúvida se foi uma disputa entre liberais e conservadores, democratas ou republicanos, ou até mesmo uma guerra racial e cultural. De um lado um candidato negro. Do outro, um candidato branco e com uma vice-presidente mulher. Tendo uma visão mais superficial do perfil dos candidatos, quem ganhasse estaria sendo o primeiro em algo.

Com seu discurso Change, ou seja, mudança, Barack Obama se tornou a última esperança do mundo. Após o trauma do Governo Bush, as pessoas criaram em Obama a imagem de um herói, que pode fazer tudo, acabar com a crise financeira, dar mais empregos e fazer renascer o sonho americano. Ele é a nova versão do Superman. Mas será que Obama está realmente preparado para carregar esse título?

Segundo a rede de tv americana NBC, assim que soube do resultado das eleições, Obama teria pedido uma recontagem dos votos. Nem ele mesmo tinha acreditado em sua vitória. No começo das eleições, Obama declarou que a possibilidade de perder não tirava o seu sono a noite, e sim, a de vitória.

Milhões de pessoas contribuíram para a campanha de Obama, doando uma média de 100 dólares cada. O desafio imediato do novo presidente será como manter o otimismo dessas pessoas que acreditaram nele e depositaram todos os seus desejos de melhora no novo presidente. Pode-se dizer que existe hoje nos Estados Unidos, um “exército pró-Obama”. Vai ser preciso muito mais que sua habilidade oral para manter o entusiasmo dessas pessoas. No seu discurso de vitória, diferente do esperado, Obama não citou Martin Luther King, mas pegou emprestado muito do que o aclamado líder negro falava. “A estrada à frente vai ser longa. Nossos passos serão cuidadosos. Podemos não chegar lá em um ano. Mas, América, eu nunca estive tão confiante como estou hoje. Nós vamos chegar lá. Eu prometo a vocês, nós como pessoas, chegaremos lá.” Esse foi um dos trechos ditos por Barack Obama durante a comemoração. Coincidência ou não, em seu último discurso antes de ser assassinado, Luther King falou: “Pode ser que eu não chegue lá com vocês. Mas quero que saibam que hoje, nós como povo, vamos conseguir a terra prometida.”

Por mais que Obama queira virar a página e começar um novo governo, as coisas não serão tão fáceis assim. Os primeiros meses são os mais importantes porque é quando o presidente eleito tem muita autoridade, mas também não tem muita capacidade de tomar as decisões certas.

De acordo com um artigo publicado na revista americana Newsweek, os primeiros 100 dias de governo serão os mais críticos para Obama. A fase de transição é uma das maiores preocupações. O texto lembra alguns dos principais momentos da política norte-americana, onde aconteceram as mais difíceis mudanças de governo. Desde a transição após a morte de George Washington, em 1800, passando por Roosevelt em 1933, até a era de Clinton, em 1993. Uma das que mais chamam atenção é a do período de Hoover-Roosevelt, durante 1932-33. Pela primeira vez, em mais de 150 anos da era presidencial, a transição aconteceu em novembro e a posse foi feita em março. Em 1932, nos últimos meses de governo, Herbert Hoover tomou uma decisão que poderia ter mudado toda a história econômica dos Estados Unidos. Hoover mudou os planos do governo para tentar reverter a crise econômica, que já atingia o país desde 1929, e não fez absolutamente nada. Ficou esperando um milagre que poderia acontecer entre as transições de governo, depositando em Franklin Roosevelt, a esperança de melhora da economia. Em janeiro e fevereiro de 1933, os bancos americanos começaram a falir em massa e os encontros entre os presidentes Roosevelt e Hoover não rendiam absolutamente nada. O democrata culpava os republicanos pela crise e nenhum dos dois conseguia encontrar uma solução para o problema. Não se sabe ao certo quem deveria levar a culpa pela grave depressão. Segundo historiadores, Hoover recebeu a maior parte dela.

É a velha história, quer entender o futuro? Tente analisar dados do passado. Baseado nos exemplos de transições anteriores entre presidente americanos, Barack Obama sabe que o caminho para a mudança não será tão fácil. Mas pelo menos uma coisa ele tem de sobra: otimismo. Lembrando que não é só os Estados Unidos que estão de olho no novo presidente, e sim, o mundo inteiro.

Boa sorte, Obama. Que a força esteja com você.




quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Let's go to the pub!

*Foto by Ratoberto

Uma idéia na cabeça, um mapa nas mãos, ou melhor, dois mapas - sim, porque em Londres você precisa de um para o metrô e outro para as ruas. Parece confuso no início, mas logo você descobre que o bicho de sete cabeças não é entender as coloridas linhas do metrô, e sim, escolher o seu roteiro do dia. A capital inglesa é o paraíso para quem tem disposição para andar, conhecer coisas novas e descobrir os encantos e curiosidades de uma cidade que já conta mais de 2 mil anos de história.
Andar pelas ruas londrinas é dar de frente com uma incrível arquitetura, carros vindo na direção contrária, muitas lojinhas de café e chá, flores, parques, pombos voando por toda parte, pessoas esbarrando e falando sorry a cada 10 segundos, chuva podendo cair a qualquer minuto (nunca saia de casa sem um guarda-chuva) e muitos, mas muitos pubs. Em cada esquina, você encontra um. Muitos deles já somam mais de 400 anos de existência e permanecem no mesmo lugar, oferecendo dezenas de diferentes tipos de cerveja. Eles são o refúgio dos londrinos. É pra lá que eles vão pontualmente às 18h, quando acaba o expediente no trabalho.
E se você pensa que eles são como os brasileiros que dividem socialmente uma garrafa de cerveja de mais ou menos 600 ml, está bem enganado. As cervejas lá são vendidas em copos, ou melhor, pints. Um pint possui quase 500 ml. Um, dois, três, quatro pints. Ok, hora de ir pra casa. Os pubs são uma das principais atividades sociais em Londres. É onde os amigos se encontram, empresários fecham negócios, e solteiros tentam ficar comprometidos.

O termo Pub surgiu ainda na época dos romanos, que para quem não sabe, foram os responsáveis pela fundação de Londres. Eles criaram várias Public Houses pela cidade, lugares onde as pessoas iam para comer, beber vinho e também a típica cerveja local, conhecida como Ale e até hoje uma das mais tradicionais cervejas inglesas. Com o passar dos anos, Public House acabou virando Pub e sinônimo do lugar para quem quer apreciar boa comida e beber bastante cerveja.

O mais interessante são os nomes dos pubs. Existem nomes tradicionais e com referências a príncipes, reis e duques, como Prince of Wales, Carpenters Arms, Duke of Kent, Black Lion e os mais curiosos, que tem alguma historia por trás, como o The Blind Beggar of Bethnal Green, que traduzindo é o mesmo que O Mendigo Cego de Bethnal Green. O pub foi criado em 1894 e recebeu esse nome devido a uma conhecida história local sobre Henry de Montfort, que perdeu sua visão durante a Batalha de Evesham e passou a mendigar pelas ruas do bairro de Bethnal Green.
Diz a lenda, que uma baronesa tomou conta do pobre coitado e juntos, tiveram uma filha chamada Besse, que deu origem a uma rua do bairro, a Besse Road. O pub é famoso até hoje e também ficou conhecido por ter sido o palco de brigas entre gangues rivais do bairro nos anos 60.

Uma dica sobre como pedir sua cerveja. Se quiser optar pelas mais semelhantes às brasileiras, vá de Lager, elas têm a cor amarelada e o gosto forte. Para quem gosta de novidade, vá de Ale, um pouco mais amarga e de cor mais escura.

Para saber um pouco mais sobre a história dos pubs londrinos e escolher o local do seu próximo pint de cerveja, vale a pena visitar os sites: http://www.fancyapint.com/ ou www. pubs.com (apenas em inglês). E para quem ficou com vontade de ir no Blind Beggar, o endereço tá logo aí embaixo:

The Blind Beggar of Bethnal Green

337, Whitechapel RoadLondon, E1 1BU
Tel.: (44) 020 72476195

sábado, 1 de novembro de 2008

Beatles agora em versão vídeo game


O grupo de rock mais famoso do mundo finalmente aderiu à era digital dos jogos. Em breve será possível tocar junto com todos os integrantes dos Beatles através de um novo jogo de vídeo game do Rock Band, o concorrente do Guitar Hero. Depois de muitas tentativas, as lendas do rock inglês autorizaram a liberação de todas as suas músicas. Os únicos integrantes vivos da banda, Sir Paul McCartney e Ringo Starr, cederam após mais de um ano de negociações. Antes, até o iTunes, o programa de download mais famoso do mundo, já tinha tentado sem sucesso a liberação das vendas das canções do grupo.

Os músicos Paul McCartney e Ringo Starr, junto com a viúvas de Lennon, Yoko Ono e Olivia Harrison, do guitarrista George, liberaram os direitos das canções e vão participar de todo o processo de design e criação do novo jogo. O lançamento deve acontecer até o próximo ano e será feito pelos mesmos criadores do famoso game de música interativa, o Rock Band, considerado um dos grandes sucessos dos últimos anos.


O Rock Band permite que os fãs possam realizar seu sonho de ser um astro de rock, tocando os hits dos seus ídolos utilizando instrumentos eletrônicos como guitarra ou bateria, que são os controles remotos do jogo. Já fazem parte do acervo do Rock Band grandes nomes da música como David Bowie, The Who e Red Hot Chili Peppers. O jogo foi lançado há mais de dois anos e já vendeu mais de 3 milhões de cópias desde o seu lançamento. A nova edição do Rock Band virá equipada com todas as músicas dos Beatles, desde o primeiro álbum Please Please Me até o último disco do quarteto, Abbey Road.


De acordo com McCartney, o projeto foi uma idéia divertida. O baixista acha que o jogo será um excelente meio de divulgar a música dos Beatles, de uma forma diferente e inovadora. Já o baterista Ringo Starr afirmou que os Beatles estão fazendo uma progressão natural seguindo os avanços e novidades do Século 21, divulgando o seu legado para que outras gerações também possam ter a chance de conhecer as músicas que fizeram a cabeça dos jovens, durante as décadas de 60 e 70.


Site oficial do jogo: http://www.rockband.com/